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Archive for the ‘Crônica cômica’ Category

A com.vers@

Tarcisio Oliveira (a pedido assinei)

Já estava anoitecendo, e eu no silêncio do meu quarto só ouvindo o barulho da chuva, e o meu dedilhar no teclado, entro no bate-papo, por acaso, curiosidade de saber quem estava on-line, como de costume, e encontro ela, dou um oi, meio com receio temendo a resposta, ela responde oi e pergunta se está todo bem comigo, respondo que sim, e assim começamos uma longa conversa, naquela tarde de sábado, que teve início por volta das 17h45, e se arrastou até às 21h20.

Durante esse tempo conversamos sobre diversas coisas, algumas, até chegou a me deixar vermelho, sabe quando você fala alguma coisa e teme a resposta? Chega a suar? Então, foi bem assim.

Papo vai papo vem, a chuva para, só percebo porque ela pergunta se está chovendo por aqui, minha toca, ou como alguns a chamam minha casa. E assim vai. A chuva volta, e eu como estava com as caixinhas de som queimadas, só ouvia o som da chuva e o barulho do teclado, que por sinal muito me agradava.

Até que após horas de conversa ela disse que precisava sair, pois a tempestade que caia sem parar já estava causando problemas no fornecimento de energia de seu apartamento, fazendo com que as luzes começassem a piscar, e como ela não queria ficar sem computador, preferiu sair antes que ele pifasse. Porém, antes deixou uma frase da banda Legião Urbana, que reflete bem o que foi aquele sábado para nós “Hoje não estava nada bem, mas a tempestade me distrai, gosto dos pingos de chuva, dos relâmpagos e dos trovões”.  Eu acrescentaria o barulho do teclado, e a conversa com ela.  

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Fé é tudo

Márcio Ribeiro Garoni – um dos dois que sobreviveram no blogue

 

Arnaldo, como alguns brasileiros, acordava cedo para trabalhar. Era casado com Rosana, com quem tomava o café da manhã todos os dias. Ela, como uma boa dona de casa, ficava em casa. Não tinham filhos.

Numa dessas manhãs de terça ou quinta-feira, Arnaldo saiu para trabalhar. Pegou seu carro-último-ano na garagem e seguiu a caminho do escritório, no outro lado da cidade. No meio do percurso, percebeu que tinha esquecido a documentação do carro. Deu meia-volta, voltando pra casa.

Subia para o quarto quando encontrou Rosana nua. Nada anormal, se também não tivesse visto nu aquele loiro alto, de olhos azuis e cabelos encaracolados, que aparentava ter o dobro do tamanho de Arnaldo e metade de sua idade.

– Quem é esse homem, Rosana?! – perguntou a voz desafinada de Arnaldo.

– Que homem, respondeu Rosana com outra pergunta.

– Como assim, que homem? Esse cara que está aí, com a, o… a…, esse cara aí!

– Ah, ele…. Ele não é um homem.

– Rosana, presta atenção no que você está me dizendo. Quer dizer que este cara, nu em MEU quarto, não é um homem?

– Isso mesmo, amor. Ele não é um homem. É um anjo. Veio do Céu e vai viver aqui em casa.

– Um anjo? Deste tamanho? E pelado?

– É um anjo especial, né, Arnaldo! Agora pode ir trabalhar tranqüilo que o Anjo vai me deixar mais segura.

Arnaldo foi, meio contrariado, claro, mas com o tempo esfriou a cabeça e percebeu que tinha sido abençoado. “Nossa, um anjo em minha casa!” – pensava ele – “Todos aqueles anos me confessando, finalmente sou um abençoado”.

O Anjo foi ficando íntimo do casal. Deitava no sofá, com o controle da tevê na mão, saía de manhã e voltava de madrugada, bêbado, mijava com a porta do banheiro aberta (quando bêbado, com a tampa da privada fechada)… Já fazia parte da família.

O mais curioso foi o que aconteceu na semana passada. Arnaldo se despedia de Rosana para ir ao trabalho, quando viu o Anjo correndo, nu, no quintal do vizinho, que corria atrás dele, dizendo: “Eu vou te matar!”. Arnaldo, vendo esta cena, riu e disse à mulher:

– Coitado do Anjo, não sabia que o vizinho é ateu…

Essa foi tirada do livro O Pasquim – Antologia (1968-1970). É do Chico Anysio, mas contei do meu jeito, porque não tenho a bíblia em mãos.

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