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Inclusão digital

Elaine Rodrigues

Inclusão digital é a democratização do acesso às tecnologias da informação, de forma a incluir todos na sociedade da informação.

A estratégia está no projeto de ação que facilita o acesso de pessoas de baixa renda às tecnologias da informação e comunicação. Voltando-se também para o desenvolvimenteo da tecnologias que ampliam a acessibilidade para usuário com deficiência. Assim, toda a sociedade pode ter acesso às informações disponíveis na Internet, e assim produzir o conhecimento.

A inclusão digital insere-se no movimento maior de inclusão social, um dos grandes objetivos compartilhados por diversos governos ao redor do mundo nas últimas décadas.

Um deles é o Brasil, que vem buscando desenvolver ações diversas visando à inclusão digital como parte da visão da sociedade inclusiva

Tarcisio Oliveira 

Em meio a vários problemas enfrentados pelos países em desenvolvimento a  inclusão digital  é um dos quais os governantes menos têm investido.

É indiscutível que problemas como a fome, analfabetismo e saúde, são mais importantes do que a inclusão digital.

Mas, também, deve-se olhar para a inclusão digital como uma forma desses países se desenvolverem, tendo em vista, que com a inclusão digital as pessoas farão contato com vários povos de diferentes culturas, aumentando assim o seu conhecimento sobre o mundo.

Também, com o acesso a internet com certeza irá diminuir o percentual de analfabetos, tendo em vista que para ter acesso a páginas simples é necessário que saiba ao menos escrever o nome da pagina que se pretende.

Porém, antes dos governantes saírem destinando verbas e mais verbas para inclusão digital, deve-se pensar primeiro em educação, ensinando ao menos o mínimo a seus cidadãos, para que esses possam acessar o mínimo fornecido pela Internet. Onde pode aprender desde o abecedário a como fazer uma tese de doutorado.     

Sem contar que com a internet as pessoas têm a possibilidade de conseguir um emprego em outra cidade, estado ou país, ou então melhorar a qualificação profissional. Há também a possibilidade de pequenas empresas e grandes empresas expandirem os seus negócios, contribuindo ainda mais com a economia do país. Por esses e outros fatores que países que querem desenvolver devem dar uma atenção para inclusão digital.

Podcasts – comentários

Por Márcio, Elaine, Guilherme e Mariana Andrade

Márcio: VÁ TE CATAR

O site se diz “o podcast mais bacana da rede”. Apesar da falta de modéstia, pode ser considerado sim um dos mais legais. Fala de música, e da pesada. É apresentado por Juliana Negri, Alexandre Cardoso e Fauzer Rossi. Bem-humorado, é um programa de rádio transmitido pela internet. A edição #14 do programa traz uma seleção de músicas de Michael Weikath, líder e guitarrista do Hellloween, banda que veio a Santos ano passado, cujo ingresso para o show este blogueiro comprou, mas não foi ao concerto. Arrepende-se até hoje.

Guilherme: PEÇAS RARAS

Produzido por Marcelo Abud, um publicitário especializado em áudio, esse podcast é uma ótima fonte de informações sobre o rádio, desde o seu ínicio, o desenvolvimento da tecnologia e o que há nos dias atuais. Cada programa aborda um tema principal, mas não deixa de passar por outros temas relacionados. Em um dos programas, o tema era a criação por Beto Hora (do humorístico “Na Geral”) e Tula Minassian de uma agência de publicidade chamada PlayRK30, que é especializada em mídia radiofônica. Aproveitando o gancho, também é possível escutar um trecho de abertura do programa PRK-30, humorístico de grande repercussão durante as décadas de 40 à 60.

Elaine: GAMELIB

O que mais pode-se inventar para o aperfeiçoamento dos vicíados em video games? Foi essa pergunta que deu origem ao GAMELIB,  uma biblioteca virtual para os gamers do Brasil. Esse podcast traz toda semana informações sobre jogos virtuais, no qual os jogadodores podem aprender macetes e até desafiar seus “colegas virtuais”. Discutem-se assuntos que estão na ponta da língua de seus jogadores.

Fé é tudo

Márcio Ribeiro Garoni - um dos dois que sobreviveram no blogue

 

Arnaldo, como alguns brasileiros, acordava cedo para trabalhar. Era casado com Rosana, com quem tomava o café da manhã todos os dias. Ela, como uma boa dona de casa, ficava em casa. Não tinham filhos.

Numa dessas manhãs de terça ou quinta-feira, Arnaldo saiu para trabalhar. Pegou seu carro-último-ano na garagem e seguiu a caminho do escritório, no outro lado da cidade. No meio do percurso, percebeu que tinha esquecido a documentação do carro. Deu meia-volta, voltando pra casa.

Subia para o quarto quando encontrou Rosana nua. Nada anormal, se também não tivesse visto nu aquele loiro alto, de olhos azuis e cabelos encaracolados, que aparentava ter o dobro do tamanho de Arnaldo e metade de sua idade.

- Quem é esse homem, Rosana?! – perguntou a voz desafinada de Arnaldo.

- Que homem, respondeu Rosana com outra pergunta.

- Como assim, que homem? Esse cara que está aí, com a, o… a…, esse cara aí!

- Ah, ele…. Ele não é um homem.

- Rosana, presta atenção no que você está me dizendo. Quer dizer que este cara, nu em MEU quarto, não é um homem?

- Isso mesmo, amor. Ele não é um homem. É um anjo. Veio do Céu e vai viver aqui em casa.

- Um anjo? Deste tamanho? E pelado?

- É um anjo especial, né, Arnaldo! Agora pode ir trabalhar tranqüilo que o Anjo vai me deixar mais segura.

Arnaldo foi, meio contrariado, claro, mas com o tempo esfriou a cabeça e percebeu que tinha sido abençoado. “Nossa, um anjo em minha casa!” – pensava ele – “Todos aqueles anos me confessando, finalmente sou um abençoado”.

O Anjo foi ficando íntimo do casal. Deitava no sofá, com o controle da tevê na mão, saía de manhã e voltava de madrugada, bêbado, mijava com a porta do banheiro aberta (quando bêbado, com a tampa da privada fechada)… Já fazia parte da família.

O mais curioso foi o que aconteceu na semana passada. Arnaldo se despedia de Rosana para ir ao trabalho, quando viu o Anjo correndo, nu, no quintal do vizinho, que corria atrás dele, dizendo: “Eu vou te matar!”. Arnaldo, vendo esta cena, riu e disse à mulher:

- Coitado do Anjo, não sabia que o vizinho é ateu…

Essa foi tirada do livro O Pasquim – Antologia (1968-1970). É do Chico Anysio, mas contei do meu jeito, porque não tenho a bíblia em mãos.

Realidade Cruel

Tarcisio Oliveira

 

“Mais uma vida jogada fora
Um coração que já não bate mais, descanse

em paz
Sonhos que vão embora, antes da hora
Sonhos que ficam pra trás” (Pra onde vai? – Gabriel Pensador)

 

Esse trecho da música de Grabriel Pensador, diz bem a realidade em que vivemos hoje no Brasil. Onde crianças são mortas antes mesmo de começarem a viver. Crianças que não são culpadas pela violência que assola o país, mas que acabam pagando. Foi o caso do menino João Hélio, de apenas seis anos, que morreu arrastado por 7 Km preso a um cinto de segurança no Rio de Janeiro, durante um assalto ao carro de sua mãe. Um caso que comoveu todo o Brasil pela maneira em que foi cometido e pela ausência de segurança, no percurso feito pelos bandidos.

Assim como o caso de Vitória Gabrielly, de três anos, morta com um tiro no peito no colo do avô, durante um assalto a seu tio no portão de casa na cidade de Mauá (Grande São Paulo).

Como Priscila Aprígio, 13 anos, atingida no abdome durante um assalto a banco em Moema (Grande São Paulo), que corre o risco de nunca mais voltar a andar.

Vítimas como Alana Ezequiel, 12 anos, morta durante operação da polícia no morro dos Macacos (zona norte do Rio), após deixar a irmã na creche foi atingida por uma bala perdida, não se sabe se o tiro foi disparado pela polícia ou pelos bandidos.

Vítimas como Maria Fernanda, dois anos, morta no colo do padrasto, que era alvo do autor dos disparos, onde dois acabaram atingindo a menina que morreu na hora.

Essas são só algumas das pequenas vítimas que a mídia tem relatado nesse início de ano, há de ter inúmeras outras que não são noticiadas. Até quando nós cidadãos brasileiros seremos vítimas de um país sem segurança e justiça, onde até mesmo dentro de casa estamos correndo riso.

Com certeza enquanto poder público e povo não falar a mesma língua, será difícil resolver esse problema que parece não ter solução. Enquanto isso familiares choram a perda de seus filhos em tenra idade sem conquistar seus sonhos, como é o caso da menina Alana Ezequiel que sonhava em ser advogada e sair do morro, infelizmente a realidade destruiu seus sonhos. “para onde vai o sol? Quando a noite cai?”.  

Infeliz Comentário

 Tarcisio

           Só estou postando essa “merda” por questões de obediência, ou seja, o professor manda eu obedeço, é, pode acreditar o professor pediu para que fizesse um texto e postasse no blog, para depois ele comentar, da para acreditar?Bom, chega de ficar enrolando para aumentar a quantidade de linhas e vamos a “merda” do texto.

A frase na qual o dito cujo pediu para que comentasse é a seguinte: “A micro-informática, base da cibercultura, é fruto de uma apropriação social”.

Bom lamento informa mas, não li o texto então meu comentário não será muito aprofundado.Mas concordo que a micro-informatica está presente em todos os lugares, fato esse que dificilmente você conversa com alguem hoje que não tem orkut, msn ou e-mail, e isso vem aumentando a cada dia. Se olharmos para trás, quando inventaram o computador, um aparelho gigante, sem monitor, que não tinha nada de divertido, só servia para efetuar cálculos, e não agradava a ninguém, não tinha mesmo porque conquistar a simpatia da população. Já por volta da década de 60, já com monitor e com algumas modificações como o tamanho, foi que tornaram-se mais agradaveis, porem computador ainda se restringia a universidades e bases do exercito, também não havia diversão alguma servia mais para pesquisas, outra porque custava muito caro.Foi aos poucos que o computador foi se espalhando, criando meios de entretenimento, e barateando o custo que conseguiu atingir a grande massa. Tanto é que se continuar nessa difusão, daqui a alguns anos não haverá em nenhum lugar do mundo alguem que não tenham se quer um e-mail.

Bom esse foi meu pequeno comentário desculpem é que foi feito as pressas, e como disse acima não li o texto.    

Farto de Solidão

Márcio - lembram daquela festa que começou no dia 31 de dezembro? Pois é. Terminou. Acabou o Carnaval. Feliz Ano Novo! Agora não tem desculpa.

(Tenho procrastinado o texto sobre o filme “Farto de Solidão”. Tava enorme mesmo, reduzi o máximo que pude. Agora que já faz mais de um mês, publicá-lo-ei. Ex Eis:)

19 DE JANEIRO DE 2007

A noite de 19 de janeiro foi inesquecível para todos aqueles senhores e senhoras no Teatro Municipal de Santos. Noite para lembrar uma época de alegrias e dramas. Noite para reencontrar amigos de 30,40 anos atrás, camaradas que tiveram suas histórias atravessadas pela História, nos anos que se seguiram ao Golpe Militar de 1964.

O homenageado da noite era Luiz Rodrigues Corvo, retratado no documentário Farto de Solidão, que narra sua trajetória política como vereador de Santos, abreviada pela revolução que se revelaria ditadura. Mas já conto como foi o filme.

ANTES DO FILME

Meu celular marcava 20h15 quando subia os degraus da entrada do Teatro Municipal (mostrar as horas é a principal função do meu despert celular). A entrada para o filme seria aberta em quinze minutos. Em volta, observava, predominavam os mais velhos, com seus sessenta, setenta e poucos anos nas costas curvadas. Parou na minha frente um senhor, perguntando se era um filme que iria passar ali. Confirmei, falei que era sobre um vereador que fora cassado na ditadura. Nessa ele perguntou: “E ele está vivo?” Disse que não sabia, ao mesmo tempo em que pensava: Deve ter morrido.

Todos começamos a entrar, alertados pelas monitoras que os lugares do centro para trás eram melhores para assistir ao filme. Sentei ao centro, na primeira fila depois do corredor, para poder esticar as pernas. Casualmente, um homem sentou-se ao meu lado. Alto, sobrancelhas espessas, cabelos grisalhos, falou:

- Engraçado, veio pouca gente, pensei que teria mais.

- É verdade – concordei.

- Você é quem? – perguntou como se eu fosse famoso, não um reles blogueiro.

- Márcio – o que eu podia responder, “marciogaroni.wordpress.com“?

- Ah, você não é parente de ninguém aqui?

- Não, fiquei sabendo do documentário e me interessei.

Ele se surpreendeu por causa disso, ainda mais pela minha idade. Chegava mais gente, inclusive amigos do homem ao meu lado, que me apresentou a eles, etecétaras e tals. Também perto de onde eu me sentava chegou a irmã de Luiz Corvo, Dilma Corvo, a “estrela do filme”, como bem disse uma das senhoras em volta.

- Você conhece essa história? – perguntei ao homem.

- Pô, eu vivi essa história – riu, satisfeito.

As luzes se apagaram, o local bem mais cheio do que vinte minutos antes. Apresentava-se no palco Roberta Corvo, filha de Luiz Rodrigues, a principal responsável pela realização do documentário, que contou como surgiu a idéia do filme. Chamou para o microfone Mariana Reade, que dirigiu o filme junto com Luiz Carlos Prestes Filho. Reade agradeceu aos colaboradores que prestaram depoimento no documentário – muitos deles presentes – e finalizou o doscurso assim: “Agora, ninguém melhor para contar essa história do que o próprio Luiz Rodrigues Corvo.

Me surpreendi. Luiz Corvo saía de trás das cortinas que guardavam o telão. Palmas. Corvo falou da surpresa preparada pela filha: ele pensava que estava gravando um documentário sobre o período; não imaginava que era ele o personagem principal. Só foi descobrir quando recebeu o filme pronto, ano passado, no aniversário de 65 anos.

COM VOCÊS, FARTO DE SOLIDÃO

O documentário é filmado todo em Santos, exceto no início, gravado em São Paulo, no Palácio Positivista do Brasil. Ali se exalta o ideal positivista no Brasil, que originou nossa independência sem armas, personificada em José Bonifácio. Esses ideais do francês Augusto Comte inspiraram o Hino Nacional e a frase de nossa bandeira. A analogia criada pela dupla de diretores é perfeita, pois a “ordem” e o “progresso” foi o que menos se viu nos anos da ditadura no país, onde muitos tiveram que lutar contra um inimigo interno – o próprio governo.

Na década de 60, Santos era a Moscou Brasileira. Assim como no início do século XX o anarquismo tornou a cidade a Barcelona Brasileira, nos anos 60 o comunismo tinha em Santos seu coração vermelho. O Partido Comunista Brasileiro (PCB), muito forte aqui, era clandestino antes mesmo do golpe.

Em 1963, eleito vereador aos 22 anos pelo Partido Republicano, Luiz Corvo era o segundo mais votado do pleito. Em 1° de janeiro do ano seguinte tomou posse e em  27 de março iniciou o exercício parlamentar. Porém, a “revolução” de 1964 esgotou as esperanças de legitimação do PCB, partido ao qual Corvo realmente pertencia. Ele precisaria fugir. Só neste momento a família ficou sabendo que Corvo era membro do Partidão. A irmã, Dilma, não entendia a filiação de Luiz ao PCB: “Ele não tinha necessidade de ser comunista”.

Fugiu para São Paulo. O coronel Erasmo Dias foi à casa da mãe de Corvo e disse que tinha ordens para matá-lo. O vereador, ligava diariamente para casa para dizer que estava bem, pois volta e meia noticiava-se sua morte. No dia 6 de abril, seu mandato foi cassado, sob alegação de ”medida de salvação nacional pela sua integração nas forças que ameaçaram a segurança e a soberania nacional”.

Erasmo Dias, comandante da Fortaleza de Itaipu, onde Corvo ficou preso por 4 meses em 1965, também depõe no filme. Os velhinhos da platéia esqueceram os próprios cabelos brancos e xingaram a imagem projetada na tela. A mãe de Erasmo Dias foi lembrada várias vezes.

Luiz Rodrigues Corvo nunca mais voltaria à carreira política. Promessa que precisou fazer à mãe, angustiada com o risco que o filho correu naquele período. Dedicou-se à advocacia e, principalmente, à família. A mãe está viva até hoje.

O início do filme exibe um vídeo de Luiz Corvo na praia da Santos, com a mulher e os filhos. Já é a Santos do final dos anos 70, um pouco mais calma com o abrandamento do regime. O documentário termina com as mesmas imagens do ex-vereador com a família na areia. Talvez sua vida seja como o mar à beira da praia. Cheia de altos e baixos, a maré sobe um pouco, logo retorna para trás. Fica na areia a marca da água.

CUMPRIMENTOS, DESPEDIDAS

Terminado o filme, mais palmas, todos de pé, e formou-se uma pequena multidão ao redor do homenageado. Ia me despedir do homem que se sentara ao meu lado, mas este já conversava com Corvo. Fui abraçar a irmã, Dilma Corvo, e dei parabéns a ela. “Todos precisam conhecer essa história”, disse, percebendo minha idade.

Desci pela escadaria à esquerda, cruzei o concreto da entrada do teatro e desci o lance de escadas da saída. A noite daquela sexta-feira foi inesquecível. Principalmente para um jovem de 18 anos que por duas horas viveu intensamente outra época.

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SAITES DE APOIO:

http://www.camarasantos.sp.gov.br/noticia.asp?codigo=1163&COD_MENU=102 - história de Luiz Corvo;

http://blog.comunidades.net/adelto/index.php?op=arquivo&pagina=12&mmes=01&anon=2006 - história dos apelidos de Santos, como Cidade Vermelha, Barcelona Brasileira, relação com a literatura;

http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0285z3.htm - homenagen da Câmara a Corvo em 2004.

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OUTRA COISA

Quem tiver um tempinho de sobra e gosta de um bom jornalismo, leia este texto, de uma estudante de jornalismo da Bahia. Isso que é reportagem. Leia o texto intitulado As faces da loucura, o segundo da página. Lízia Sena o nome dela.

Tarcisio Oliveira

Eu estava lendo Sanduíches de Realidade (Arnaldo Jabor), quando deparei-me com este texto, lembrei que no ano passado a Professora Edna Alessio pediu para que fizéssemos um texto comparando São Paulo e Rio de Janeiro, acho que ela vai gostar desse.

 

Vários chatos na ponte aérea já me disseram: “Por que você não escreve sobre Rio e São Paulo?” Nunca escrevi, porque este tema é a pior forma de fim de noite, quando todas as piadas já acabaram. Pior que “homem e mulher”, pior que “Picasso ou Bracque”, pior que “Beatles ou Rolling Stones”. Mas, atendendo a pedidos (já que é fim de ano), resolvi aceitar o tema. Vamos a isto.

 

            “ A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.” (Nélson Rodrigues)

            “A pior forma de ilusão é a simpatia de um carioca.” (eu)

           
Em São Paulo, se você bobear, vira escravo. No Rio, se bobear, vira vagabundo.

            O carioca está deprimido e não sabe. O paulistano e maníaco e não sabe.

           
Em São Paulo, os milionários trabalham. No Rio, moram em Paris.

           
Em São Paulo, o contrário do burguês é o proletário. No Rio, o contrário do burguês é o boêmio.

            Carioca acredita no espírito carioca. Paulista acredita na matéria.

            São Paulo é Carandiru. Rio é Vigário Geral.

            No Rio, só os criminosos são práticos e organizados, como os paulistas.

           
Em São Paulo, o crime ainda esta fora do processo produtivo.

           
Em São Paulo, o crime é free lance. No Rio, o crime é empresa. Ou seja, no Rio, o crime é paulista.
Em São Paulo, o crime é carioca.

            São Paulo é um filme americano. O Rio é um filme brasileiro.

            O Rio é ficção. São Paulo é documentário.

            A miséria no Rio é dentro.
Em São Paulo, é fora.

            No Rio, a miséria e no alto.
Em São Paulo, é embaixo.

           
Em São Paulo, há menos miséria; mas a miséria é mais miserável. No Rio, a miséria já deu samba.
Em São Paulo, a miséria não dança.

            O “cash flow” dos mendigos é melhorem São Paulo. Mas no rio ele se sente em casa.

            Se eu fosse miserável, preferiria morar no Rio.

            O Rio é matisse e Munch (no mesmo quadro). São Paulo é Marcel Duchamp.

            No Rio, os motéis estão por toda a parte.
Em São Paulo, os motéis são na Via Dutra.

            No Rio, sexo é prazer.
Em São Paulo, é pecado.

            Todo paulista tem amante. Todo carioca come alguém.

            No Rio, as putinhas têm prazer.
Em São Paulo, são frias.

            No Rio, há café society.
Em São Paulo, Café Photo.

            Na Ipiranga com a São João, São Paulo foi redescoberta por um baiano.

            Antes de Caetano, São Paulo não sabia que existia. São Paulo tinha complexo. Agora, o rio tem inveja.

            No Rio, as mulheres são mais sensuais.
Em São Paulo, são mais sacanas.

            No Rio, há nudez, com menos desejo.
Em São Paulo, muita roupa, com mais tesão.

            No Rio, as mulheres são cínicas.
Em São Paulo, são românticas.

            O Rio é histérico. São Paulo é obsessiva.

            Paulista é mais serio que carioca. Por isso, pode até acabar com você.

           
Em São Paulo, filho da puta é filho da puta. No Rio, como saber?

            Paulista odeia críticas. Carioca odeia auto críticas.

            O Rio é a “dialética da malandragem”. São Paulo é Antonio Candido.

            O Rio é vagabundo, São Paulo é lúmpen.

            O Rio é Oswald de Andrade. São Paulo é Mario de Andrade.

            São Paulo é PT. O Rio é PMDB. Mas o Rio é socialista. São Paulo neoliberal.

            O Rio é associativo. São Paulo, seqüencial.

            O Rio é eu. São Paulo, “os outros”.

            O Rio é católico, São Paulo, protestante.

            O Rio é esquizofrênico. São Paulo, paranóico.

            O Rio se acha superior ao resto do Brasil. São Paulo é superior.

            No Rio, há contos do vigário.
Em São Paulo, bons negócios.

            No Rio, são todos amigos.
Em São Paulo, todos são puxa-sacos.

            O carioca se ilude com a paisagem. Paulista se ilude com a avenida Paulista.

            Paulista gosta de carioca. Carioca não gosta de paulista.

            Carioca não te convida para jantar. Paulista convida, para te jantar.

            Carioca pensa que ainda é criativo, mas está apenas mal-informado.

            Todo o poder estáem São Paulo. No Rio, todo o poder está na Globo.

            No Rio, estamos diante de uma saudade.
Em São Paulo, tudo é fato consumado.

            Carioca pensa que sabe gozar a vida. Paulista aumenta a produtividade.

            O Rio é um feriado, São Paulo é uma segunda-feira.

            No Rio, todos são funcionários públicos, aposentados ou psicólogos.
Em São Paulo, todos são publicitários, gerentes de marketing ou psiquiatras.

            O Rio é insolúvel.
Em São Paulo, o insolúvel é mais organizado.

            SP é prozac. Rio é maconha.

            O Rio é viado. São Paulo drag queen.

            No Rio, só tem otário.
Em São Paulo, só tem malandro.

Márcio - com um trabalhão pra semana que vem

Desde o dia 20 de janeiro, eu venho escrevendo uma matéria pra pôr aqui. Nada factual, nada chato (eu espero), mas o problema é que o primeiro texto, à mão, tem 9 PÁGINAS!, sem brincadeira. Tô dando uma secada e o texto tá em 4 páginas, o que já é um avanço. Vou dar mais uma resumida e acho que semana que vem fica em trinta, quarenta linhas. É sobre um documentário que eu vi nessas férias, dirigido pela Mariana Reade e Pelo Luiz Carlos Prestes Filho. (Semana que vem, sem falta, Reade!) Hoje vocês ficam com o Ricardo Kotscho, um dos melhores repórteres do Brasil. Texto tirado do nomínimo 

 

A São Paulo, com carinho

Quanto mais viajo, e no ano passado dei várias voltas pelo Brasil, maior é a sensação de felicidade ao retornar para minha cidade. Por isso, fico triste quando as pessoas falam mal dela.Pode parecer esquisito fazer esta declaração de amor exatamente no momento em que São Paulo ainda está consternada com o desabamento e as mortes nas obras do metrô em Pinheiros, bairro onde morei boa parte da minha vida.Vai ver que é por isso mesmo. É nessas horas difíceis, como se fosse uma pessoa querida, com tantos dramas e transtornos causados pela tragédia, que São Paulo mais precisa do carinho de seus filhos, os que aqui nasceram ou para cá vieram em busca de uma vida melhor.

Blasfemar não resolve, só faz mal para nós mesmos.

Como não acredito que sejamos mais de dez milhões de masoquistas os que neste canto do mundo vivemos, e ninguém é obrigado a ficar, todos ganhariam se dedicassem parte de seu tempo a pensar no que cada um poderia fazer para tornar a convivência por aqui mais agradável e menos insegura em vez de ficar xingando o destino e caçando culpados pela desgraça.

A começar por nós mesmos, repórteres. Só na caudalosa cobertura do pós-tragédia ficaríamos sabendo que:

1) há vários meses moradores de imóveis ao longo de todas as dez estações da Linha Amarela estavam assustados com rachaduras e trincas provocadas pelas obras do metrô;

2) dias antes do desabamento já havia sinais de sérios problemas na estação Pinheiros e ninguém da vizinhança nem do governo foi alertado para o perigo pelas empreiteiras responsáveis.

Assim como o PCC já existia há muito tempo, mas só ganhou as manchetes quando a bandidagem botou fogo na cidade no ano passado, os problemas com a obra da Linha Amarela do Metrô apenas despertaram a atenção da imprensa quando a estação Pinheiros implodiu na última sexta-feira tragando sete vítimas.

Se andasse mais pelas ruas e pelos becos e ouvisse mais gente fora dos gabinetes, lá onde moram seus leitores, certamente algum repórter poderia ter descoberto antes o que estava acontecendo nas obras do metrô ou nos presídios paulistas.

Quantas outras armadilhas estarão espalhadas pela cidade nesse momento e nós não estamos sabendo porque a nossa imprensa foi cada vez mais se afastando da realidade do nosso dia a dia?

Como hoje se costuma fazer reportagem sem sair da redação, por telefone ou pela internet, com os jornalistas mais empenhados em cobrir as futricas da eterna disputa político-partidária do que com a vida real, acabamos sendo tão surpreendidos quanto os bombeiros quando soa o alarme.

Depois, não adianta encher os jornais de editoriais e artigos indignados. No tempo devido, caberá à Justiça, consultados os peritos especializados no assunto e as provas técnicas produzidas, denunciar os responsáveis pelo desabamento – não a nós, jornalistas, engenheiros de obras (mal) feitas.

De uns tempos para cá, estamos desenvolvendo esse péssimo hábito de denunciar, julgar e condenar, assumindo ao mesmo tempo o papel de delegados, juízes e promotores, que ninguém nomeou para isso.

Tem dia em que morre mais gente na rotina do nosso trânsito maluco do que foram as vítimas da obra do metrô, e nem por isso a cidade não presta, nem vamos sair pelas ruas tentando fazer justiça com as próprias mãos, caçando os motoristas assassinos que andam à solta por aí.

Poderia eu também estar passando junto à obra quando a cratera se abriu, pois por ali transitava freqüentemente. Por quase trinta anos, morei bem em frente ao local do desabamento, do outro lado do rio Pinheiros, no Butantã.

A barulheira das obras, com explosões freqüentes precedidas do aviso da sirene, começou pouco antes de eu me mudar de lá em 2005, mas não adiantou muito porque uma outra estação do metrô está sendo construída na rua onde moro agora. Parece perseguição, mas nem por isso vou renegar a minha cidade.

Embora não me lembre de alguma vez ter usado o metrô em São Paulo (prefiro andar a pé ou de táxi), trata-se de uma obra importantíssima, vital para a cidade, que já vem com décadas de atraso. Além disso, sempre ouvi falar que o nosso metrô é um dos melhores do mundo, com baixo índice de acidentes.

É muito fácil sair por aí batendo nos nossos governantes passados e presentes, empreiteiras e engenheiros, mas entendo que somos – ou deveríamos ser – todos responsáveis por tudo de bom ou de ruim que acontece nesta cidade, pela nossa ação ou omissão, até porque somos nós que escolhemos os prefeitos e governadores, que por sua vez contratam as empreiteiras encarregadas das obras.

Mas o que se pode esperar de uma população em que a maioria, segundo as pesquisas, nem sabe o nome do prefeito da sua cidade? Está certo que o atual prefeito era apenas o vice do atual governador, mas Gilberto Kassab já está no cargo desde meados do ano passado.

Quem lá vai lembrar do nome do vereador em quem votou nas últimas eleições? Quantos de nós alguma vez participamos de algum movimento em defesa da nossa rua ou do nosso bairro, já nem falo da cidade? Ou já fizemos algum trabalho voluntário, qualquer um, para melhorar a vida dos mais necessitados de ajuda?

No final dos anos 60, na véspera de mais um aniversário de São Paulo, o editor local do “Estadão”, que estava com falta de matérias para fechar as suas muitas páginas no feriado, me encomendou uma crônica sobre a cidade.

“Amo essa cidade com todo ódio”, foi o título que perpetrei, sem perceber que estava apenas repetindo um sentimento até hoje dominante em boa parte de seus moradores. Coisa besta de quem mal tinha completado 20 anos, e ainda achava que jornalista foi feito para chocar a burguesia e arrancar aplausos dos seus colegas.

Nesta semana que antecede a festa de seus 453 anos, São Paulo mereceria não apenas carinho, mas também um pouco mais de respeito de todos nós, tanto por sua belíssima história, que no último século a transformou numa das principais metrópoles do mundo, como também por que é aqui, afinal, de um jeito ou de outro, que continuarão vivendo nossos filhos e netos.

Precisamos acabar com essa paranóia de achar, a cada seis meses, a cada acidente de maiores proporções, enchente ou nova explosão de violência, que o mundo acabou. A vida continua.

Apesar de tudo, parabéns, São Paulo. Tenho muito orgulho de ser o primeiro paulistano de uma família que veio da Europa, ter nascido na Pró-Matre, maternidade próxima à emblemática avenida Paulista e, ainda por cima, ser são-paulino, atualmente morador do Jardim Paulista.

Já fui assaltado e atropelado, já perdi boa parte da minha vida em congestionamentos, já morei na Alemanha, em Curitiba e Brasília, já rodei esses anos todos o Brasil e o mundo, mas meu sonho de uns tempos para cá é ficar por aqui mesmo, de preferência em casa com a família, que não pára de crescer, como a cidade, e agora só tem paulistanos.

Vista da minha janela, a cidade é linda, mesmo em dia de chuva e com helicópteros pairando bem em cima do meu prédio me azucrinando a vida a tarde toda. É a minha cidade.

Só me resta amar São Paulo, sem ódio.

Luana Fernandes.

Eita que faz tempo que não passo por aqui. Tirei férias de tudo, mas voltei!! :)
O assunto de hoje: um dos papéis mais importantes do jornalista, o de ser soliDário!

Eu sonho com um mundo melhor há muito tempo. Acredito que não seja diferente com vocês, assim espero. E o que sempre me motivou a ser jornalista é o fato de poder ajudar para que este, tão sujo e machucado, se torne aquele dos sonhos de todos.

E por isso que nosso papel nessa história é importante! Temos a informação, o poder  de manipulação, mas também um grande poder de concientização!

Isso seria lindo e perfeito, nos tornaria heróis da humanidade, se não fosse um pequeno problema: somos orgulhos e auto-suficientes demais para tal feito! (CALMA!) Não estou generalizando, há exceções que nos trazem muitas esperanças. Porém, é uma grande verdade. Somos voltados para o nosso ego, para o nosso umbigo.

Como percebemos isso?! Simples. Vá à uma sala de aula de futuros jornalistas, a divisão já começa ali. E o pior, como se não bastasse a divisória entre cada “mundinho umbilical” anda há a competição. Sim, nosso ego exige que sejamos sempre os melhores.

Agora reflita ai com os seus botões: como mudaremos o mundo?! Como seremos soliDários?! Está difícil ter esperanças, mas a minha é imortal. Acredito ainda que conseguiremos, talvez não pelos jornalistas e seus poderes, mas por uma força maior que mudará tudo.

Enfim, mesmo com uma esperança imortal é preciso ter consciência que é hora de acordar! Há pessoas necessitadas, há uma mãe precisando de carinho e atenção: a Natureza!! Precisamos conservá-la, preservá-la, se houver tempo pra isso.

Portanto, PARE! Mexa-se e remexa-se!! Vá em frente! Se cair, levante-se. Mas siga em frente. Não sozinho. Olhe para o lado e perceba que não está no paraíso de Éden. Nesse seu mundinho não encontrará Eva e muito menos um lugar belo, mas um mundo inteiro precisando de ajuda. Vá! Arregace as mangas, coragem! Não se torne um ser UNO para todos, e sim torne TODOS em UM.

Prefira viver como soliDário em um mundo de todos, do que viver como so-li-Tá-rio em seu mundinho que só cabe UM, você!

Pensem nisso.  ;)

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